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Deep Tech
Série Inovacia e Conecta Cientista

Oportunidades em Deep Techs: A Hora é Agora

Deep techs combinam ciência, tecnologia, capital e impacto para enfrentar desafios globais. Conheça iniciativas, investimentos e ecossistemas que demonstravam, já no final de 2024, por que apoiar essas empresas era uma oportunidade estratégica.

Dra. Paula Coelho16 de dezembro de 20248 min de leitura
Livro tecnológico em um ambiente futurista, representando conhecimento científico, inovação e oportunidades em deep tech.
Nota editorial: este artigo foi publicado originalmente em 16 de dezembro de 2024. Dados, projeções e referências a 2025 refletem as informações disponíveis naquele momento.

Estamos entrando em 2025 com um panorama empolgante para as deep techs, conhecidas também como tecnologias de fronteira e baseadas em pesquisas intensivas em conhecimento. As deep techs prometem continuar transformando indústrias e resolvendo os desafios mais complexos da sociedade.

Em 2024, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, a conversa sobre deep tech se intensificou, destacando como os fundos de venture capital (VC) estavam acelerando o impacto dessas inovações. Empresas como a Data Collective Venture Capital (DCVC), por exemplo, investem em tecnologias revolucionárias, como engenharia genética e automação, com potencial para redefinir indústrias inteiras. As deep techs continuam crescendo e atraindo valores significativos de capital de risco.

Em 2024, mais de US$ 60 bilhões foram direcionados globalmente para startups deep tech, segundo estimativas mencionadas por instituições e investidores do ecossistema naquele período. Estimava-se que, em 2025, o valor pudesse ultrapassar US$ 75 bilhões, com foco especial em tecnologias relacionadas à sustentabilidade, saúde e inteligência artificial.

As tecnologias de fronteira representam um mercado estimado em US$ 9,5 trilhões para 2030, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento — UNCTAD. Na América Latina, investimentos em empresas deep tech poderiam aumentar vinte vezes, passando dos US$ 172 milhões registrados em 2022 para US$ 3,44 bilhões em dez anos, segundo o relatório Deep Tech: The New Wave, do Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID.

Startups deep tech, fundamentadas em avanços científicos e tecnológicos profundos, atraem atenção crescente de investidores, governos e empreendedores ao redor do mundo. Áreas como bioeconomia e tecnologias climáticas apresentam oportunidades especialmente promissoras.

Na Europa, iniciativas como o Deep Tech Award Berlin destacam projetos relevantes em biotecnologia, robótica e soluções para sustentabilidade, consolidando o continente como um importante polo de inovação científica e tecnológica.

A EIT Deep Tech Talent Initiative, da União Europeia, assumiu o compromisso de capacitar um milhão de talentos em áreas deep tech até 2025, criando um pipeline robusto de empreendedores e profissionais qualificados. Alguns cursos são gratuitos. Empresas e instituições também podem aderir ao compromisso The Pledge para apoiar e se beneficiar dessa força de trabalho de alta tecnologia.

Nos Estados Unidos, a parceria entre Activate e The Engine, anunciada em 13 de dezembro de 2024, desempenha um papel importante por meio de um programa que integra recursos e experiências das duas organizações.

A aliança oferece capacitação prática, acesso a redes, formação e suporte para pesquisadores que desejam comercializar suas inovações. Com foco em tecnologias voltadas para sustentabilidade, saúde, inteligência artificial, manufatura avançada, robótica, química, materiais, alimentação, agricultura e espaço, a iniciativa reflete o compromisso de enfrentar desafios sociais e ambientais de forma escalável.

Activate: conhecida por suas fellowships de ciência aplicada, a Activate transforma cientistas em empreendedores ao oferecer suporte técnico, financeiro e de negócios. Seus fellows criaram startups inovadoras e captaram volumes expressivos de capital para desenvolver tecnologias científicas.

The Engine: criada pelo MIT, The Engine apoia empresas de tecnologias complexas que precisam de infraestrutura de longo prazo, como laboratórios e equipamentos, além de programas, conexões e capital paciente para projetos de alto risco tecnológico.

A iniciativa entre Activate e The Engine busca identificar, capacitar e apoiar empreendedores deep tech, mostrando que formação, infraestrutura e suporte são fundamentais para transformar descobertas científicas em negócios bem-sucedidos.

A parceria também procura ampliar o alcance dos programas e conectar talentos a investidores, infraestrutura, especialistas e ambientes de inovação. O objetivo é oferecer suporte ao longo da jornada que vai da pesquisa de laboratório aos pilotos com clientes e à comercialização.

Além dessa iniciativa, é interessante destacar o MIT REAP — MIT Regional Entrepreneurship Acceleration Program, programa global do MIT voltado à aceleração da inovação e do empreendedorismo em regiões específicas.

O MIT REAP ajuda regiões a desenvolver ecossistemas mais robustos para startups e empresas de base tecnológica, promovendo colaboração entre academia, governo, indústria, empreendedores, investidores e outros atores estratégicos.

O incentivo às deep techs nesse tipo de iniciativa é um bom exemplo de como melhorar a capacidade de uma região ou cidade para criar e sustentar empreendimentos inovadores.

O MIT REAP já contou com a participação de diferentes regiões ao redor do mundo, incluindo Dubai e Santiago. No Brasil, Rio de Janeiro e Piauí participaram de diferentes cohorts do programa.

Como funciona o MIT REAP

A abordagem do MIT REAP busca fortalecer capacidades regionais de inovação e empreendedorismo por meio da participação coordenada de diferentes atores do ecossistema.

Entre os elementos importantes para o desenvolvimento de um ecossistema de inovação estão:

  • Pesquisa aplicada e desenvolvimento de tecnologia: incentivar a transferência de tecnologia das universidades e dos centros de pesquisa para o mercado.
  • Investimento de risco: estimular o crescimento de uma rede de investidores capazes de apoiar startups tecnológicas e deep techs.
  • Capital humano: fortalecer a formação de profissionais qualificados em áreas como engenharia, ciência da computação, pesquisa e empreendedorismo.
  • Empreendedores: apoiar a criação e o crescimento de empresas, conectando empreendedores a mentores, investidores, infraestrutura e recursos locais.
  • Infraestrutura empresarial e suporte às startups: facilitar o acesso a incubadoras, aceleradoras, laboratórios, espaços de trabalho, programas e redes de apoio.
  • Liderança e articulação regional: estimular a colaboração entre governos, universidades, empresas, investidores e outras instituições em torno de uma visão compartilhada de inovação e empreendedorismo.

Oportunidades de venture capital em deep techs

O apoio às deep techs representa uma oportunidade de investimento e desenvolvimento em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, tecnologias climáticas e materiais avançados.

  • Retorno financeiro e impacto social: deep techs podem combinar geração de valor econômico com a capacidade de enfrentar desafios globais críticos, como mudanças climáticas, saúde e segurança alimentar.
  • Barreiras tecnológicas: empresas deep tech frequentemente desenvolvem barreiras relevantes à entrada, decorrentes da complexidade técnica, do conhecimento científico e da propriedade intelectual protegida.
  • Oportunidades regionais: mercados emergentes, como América Latina e Oriente Médio, podem apresentar menor competição em determinados segmentos e grande potencial de crescimento.

O MIT REAP também contribui para o desenvolvimento de ecossistemas mais conectados e preparados para atender às necessidades de empresas de base científica e tecnológica. Isso inclui o fortalecimento da capacidade de financiamento e o desenvolvimento de estratégias para startups com alta intensidade científica e tecnológica.

No Brasil, durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, foi anunciada pela Finep a proposta de criação de fundos com abrangência nacional para apoiar empresas deep tech, bem como a formação, atração e retenção de talentos brasileiros.

Temos muitos exemplos internacionais que demonstram a importância dessa articulação, entre eles Activate, The Engine e MIT REAP.

O ano de 2024 demonstrou que as deep techs não são apenas o futuro, mas uma necessidade urgente para enfrentar problemas globais. Seja no Brasil, na América Latina ou em outras regiões do mundo, o momento de investir e apoiar essas tecnologias é agora.

2025 é um ano de oportunidades para quem busca transformar ciência em negócios!

Referências

  • Technology and Innovation Report 2023. UNCTAD, 2023. unctad.org
  • Deep Tech: The New Wave. Ignacio Peña e Micaela Jenik. Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID, 2023. publications.iadb.org
  • Activate and The Engine Announce Strategic Alliance to Identify, Train, and Support Deep Tech Entrepreneurs. Activate, 13 de dezembro de 2024. activate.org
  • EIT Deep Tech Talent Initiative. European Institute of Innovation and Technology. eitdeeptechtalent.eu
  • MIT Regional Entrepreneurship Acceleration Program — MIT REAP. reap.mit.edu

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Autora

Dra. Paula Coelho

Fundadora e CEO da Inovacia e da Conecta Cientista, fundadora e presidente da AI Safety Brazil, pesquisadora de empreendedorismo científico e doutora em Inovação Tecnológica.

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